terça-feira, 22 de junho de 2010

Desafio II


A meio da manhã o telemóvel dá sinal de mensagem. " 14:30h, Volta da Garça, quarto 11". Simples e imperativa. Poucos minutos depois respondi "Estarei lá", com a mesma firmeza mas algo me soava diferente nela. Não liguei, tratei dos meus afazeres, e rumei ao local. Chegada à recepção, pedi pela chave e com ela vinha um envelope, nele continha um bilhete com as palavras " Tens algo à tua espera, quando chegar quero-te ver nela". Meio apreensiva, recolhi ambos e subi ao quarto. Em tons quentes, acolhedor e convidativo, um aroma doce suavemente espalhado pelos incensos que queimavam, na cama uma caixa. Abri e nela estava uma combinação negra, simples e requintada, escolhida a dedo e nas medidas que se adivinhavam perfeitas à minha silhueta, ou não a conhecesses bem, e uma tira de cetim preta. No fundo da caixa, havia outro bilhete onde estava escrito "coloca-a nos olhos, deita-te e confia...".

Apesar de não me sentir à vontade em jogos de cabra-cega, nunca levei jeito para dominadora mas muito menos para dominada, algo me impelia a fazer o que me pedia. Experimentei-a, mirei-me no espelho sentindo-me como que uma princesa, mas ao olhar para a tira de cetim... ficava arredia, mas já que tinha lá chegado, não iria virar costas, sentei-me na cama, coloquei-a e deitei-me, à espera. Perto das 15h ouvi a porta abrir e fechar com cuidado, pertences colocados na mesa e senti os teus passos. Paraste perto da cama por segundos, debruçaste-te e antes que pudesse articular uma palavra beijaste-me, numa suavidade imensa. Num beijo longo, deste-me as mãos e elevaste-as acima do pescoço em direcção ao topo da cama, e sussurraste-me em tom interrogativo... "Confias em mim?" Ainda meio fraca com o teu beijo, respondi que sim ao que retorquiste "deixa-me levar-te..." e calaste qualquer hipótese de argumento com outro beijo. Algo macio prendeu-me as mãos, e senti-me qual presa à mercê de um lobo. Viste atento no meu lábio que tremia o nervosismo da situação e mesmo sem te ver, sentia-te a gostar do sentimento de posse. Ficaste assim uns momentos largos, e eu a ficar cada vez mais tensa, algo que não me agradava por um lado, mas que me excitava por outro. A tua mão partiu de um braço em toque suave a descer a linha do meu corpo, sentindo e procurando o arrepio que me era inegável, sabias-te conhecedor do corpo que te era presenteado assim. Senti a tua lingua descer com ela em rumos diferentes, tocando-me de tempos a tempos, numa valsa dançada na minha pele. Nas coxas que dedilhaste a principio, senti o rompante das mãos a abrirem-nas, deixando-me exposta. A ponta dos dedos subiu pelo interior da perna como pena que tortura o caminho, e virilha acima, senti os dedos pararem no ventre. A ponta da língua em circulo nos seios, um beijo aqui, outro ali, e num beijo mordaz sugaste-me os mamilos, enrijecidos com o jogo que fazias. Numa subida lenta, entre mordidas no pescoço e beijos lânguidos, dizias-me ao ouvido palavras provocadoras, fazias perguntas para as quais sabias que a minha natureza lutaria para não tas dizer, aumentando o teu tesão, provocando-te ainda mais.

(Pic by El Solitario)

Mão tua concentrada no ventre que , a outra que brincava ao mesmo tempo com a linha do corpo, desceu sentindo a lingerie molhada, afagando-a. Senti-te desviá-la um pouco e o teu dedo deslizou dentro de mim. Ouviste-me gemer, e num vai-e-vem foste aumentando a intensidade no entrar. Desceste com a boca e senti a tua lingua rondar-me calmamente, como se provasses um licor raro, sem nunca ir directo ao ponto. O meu corpo trémulo pedia por ela, mas paravas de tempos a tempos, numa tortura insuportável quase. Puxaste a lingerie para baixo e abriste-me.  Deixaste-me assim um pouco. Sabias que se me tirasses a venda, verias nos meus olhos uma gata brava, enjaulada, perdida de tesão e achada no desejo puro. Foste brincando com os dedos, provava-los, davas-mos a mim a provar, delirando com o vulcão que os inundava e queimava cada vez mais. Decidiste tirar-me a venda, mas não soltar-me as mãos, não ainda. Os meus olhos revelavam sede de ti, os teus desceram e a tua boca sorvia cada gota de néctar que fazias crescer, soltando gemidos incontroláveis. Paravas... Enraivecias-me, dizias... "pede"... Cerrava os dentes, num prolongar de êxtase impossivel, num misto de orgulho versus suplício de aguentar o inaguentável... Fizeste-me implorar, e quando achava já não aguentava mais, torturavas-me ainda mais, numa tortura doce e infernalmente sentida, em cada poro, em cada arrepio, em cada dominio... Num grito incontido, fizeste-me vir e alcançar um orgasmo que nunca havia sentido, o corpo tremia incontrolávelmente, em espasmos seguidos uns atrás dos outros, arqueando as costas de forma violenta e num extase completo! Ainda não recomposta, a tua boca encostou na minha e num beijo intemporal, doce, calmo, fiquei meia perdida dos sentidos, sentindo o teu cheiro, gosto, calor... Levada pela loucura e pelo teu beijo tão...

(Pic by El Solitario)

O teu corpo encostou-se ao meu, de uma forma... unica, numa fusão completa. Soltaste-me as mãos, levei-as ao teu rosto, olhàmo-nos e penetraste-me... vagarosamente. Iniciaste uma dança de entrega, completamete rendida, as minhas pernas enrolaram-se em ti, e entre beijos perdidos num abraço, fomo-nos dando um ao outro, como se fossemos um só, sem pressa, deixando que os corpos comandassem o ritmo, até nos sentirmos a alcançar o orgasmo... como se mais nada existisse, a não sermos nós, e como que se o tempo parásse nesse instante, pele eriçada, fluímos...

Repousámos, ainda um dentro do outro, sem que fossem necessárias palavras... seriam futeis...


Como quando digo que faço, o faço mesmo, não me esqueci do desafio menino El Solitario... Lembrado? Apesar de não ser uma àrea que domine,mesmo,  as imagens lançadas deram o mote...  de entre as quatro, escolhi estas duas, mais ao jeito Libertya, assim como o texto se me permites....espero que me tenha safado bem... ;)

E com este terminam os desafios da Libertya... os abraçados claro.

20 comentários:

desejo disse...

É original?!


:) desejo

Ulisses disse...

Excelente texto. Muito bom mesmo.
Perdi-me nas palavras e nas minhas recordações...
(quando já se viveu algo de parecido, não é difícil perder-mo-nos e deixarmos vaguear a memória ao sabor das palavras lidas...)

:)

El Solitario disse...

SUBLIME!!!

esta tua escrita tá cada dia mais desconcertante,,,
ainda tou aqui com um nó na garganta só de imaginar a cena,,,
SUBLIME menina Libertya,,,

beijo-te desconcertado,,,

*já te tinha dito que gosto de te desafiar?
; )

PEKADUS disse...

Li..

De sentir,arrepiar,viver..caramba..

Existe palavra acima de Sublime?

Bjote..Sublimente..sentido..meu,só meu..

Momentos disse...

Fizeste sentar-me a um canto daquele quarto e apreciar em imagens o que as tuas palavras descreviam ;) beijo miuda gira

Libertya... disse...

desejo,

Como assim?

:)

Libertya... disse...

Ulisses,

Obrigada pelo elogio...
:)

Se escrito é uma coisa, vivido ou (re)lembrado então...

Libertya... disse...

El Solitario,

Safei-me bem no teu desafio? Com a inspiração certa, torna-se mais fácil...

Nó na garganta? Não te quero a sufocar menino El...
;P

Mimas-me com os elogios!

Beijo meu desconcertante...



*Já, e sabes que não fujo deles!
;)

Libertya... disse...

PEKADUS,

Um arrepio apenas com inicio, mas sem fim... como um bom pecado cometido... sentido...

Para mim, existe sim...

Beijo-te com delicadeza, a minha, tão minha...

Libertya... disse...

Momentos,

E tão bom quando assim é...

Beijo meu

riskcontact disse...

q tesão ler isso... adorei

Flowheart disse...

Impressionante como a cada letra tua o sonho perciste, como em cada palavra o prazer existisse, e em cada frase o uivo de lobo se fizesse ouvir.Loba em lua cheia sempre sublime cada momento...
Beijo ao luar

Vontade de disse...

Adorei. Acho que isso de vendar os olhos só ajuda a despertar os outros sentidos. E depositarmos confiança nas mãos de alguém assusta... mas excita.

El Solitario disse...

passaste com distinção, com direito e menção honrosa e tudo,,,
; )

também não esperava menos,,,
mas mesmo assim sempre a surpreender[me],,,

beijo meu desconcertado,,,

*eu sei que não,,, é por isso que és uma jóia rara,,,

Patife disse...

Grande Libertya... Mas que texto poderoso. Espero que o El Solitario te continue a desafiar pois o resultado é fantástico. Magnet Duo. ;)

Libertya... disse...

riskcontact,
Bem vinda sejas ao Libertya!

Obrigada...

Beijo libertyo

Libertya... disse...

Flowheart,

Há palavras que são escritas e outras que são sentidas, como se cada letra ganhasse vida própria...

As minhas são sempre as ulitmas, conheces-me bem... sabes disso.

Beijo meu fluido

Libertya... disse...

Vontade de,

Quando retiramos um sentido, os outros apuram... ao retirarmos dois, não diria os principais mas... fulcrais, é qualquer coisa de fabuloso, quando há confiança absoluta para tal.

Libertya... disse...

El Solitario,

Isso tudo? Ainda acredito e começo a ficar convencida...
;)

O desafio não merecia menos!

Beijo meu, desconcertante...
(O que eu adoro este adjectivo)

* Mimas-me... depois tens de me aturar!
;P

Libertya... disse...

Patife,

A ver vamos... It's payback time for now.
Obrigada pelo elogio, a Libertya agradece com humildade... e sinceridade.
;)